1000 KM DO ALGARVE
Le Mans Series

            
A categoria GT2 tem sido nos últimos anos, o garante de espectáculo e competitividade nas provas de resistência, das Le Mans Series às American Le Mans Series.
A Ferrari tem marcado presença nesta categoria, de forma oficial na preparação e semi-oficial na participação, através do modelo 430 GTC, que desenvolve, em parceria com a Michelotto Automobili de Christiano Michelotto, a empresa de Padua, criada em 1969, e que desde os finais dos anos setenta, é co-responsável pelo desenvolvimento e preparação dos automóveis destinados aos clientes desportivos da marca italiana, desde o 308 GTB gr 4, F40 LM/CSAI-GT, 348 CSAI-GT, 333SP, entre outros.
De notar que até ao Ferrari 275 GTB/C (inclusivé), os Grande Turismo de Maranello eram preparados e assistidos directamente pelo departamento de competição da marca, e a partir dos 365 GTB/4, esta preparação, embora oficial, passou a ser feita pela então criada “Assistenza Clienti”, gerida na altura pelo célebre Gaetano Florini, que manteve a ligação da marca com os Swaters, Chinetti, Hoare e Pozzi. E segundo Florini: “ A missão deste departamento não era de fazer entrar dinheiro na Ferrari, mas de preparar os automóveis, melhorá-los no limite do possível para uma utilização em corrida, e limitar os custos para o cliente, mas sobretudo ganhar corridas e ver os clientes satisfeitos”.
Com mais ou menos variantes, é este o lema da actual “Corse Clienti”, que surgiu em 1993, na época, para organizar e dar assitência aos automóveis que participavam no Challenge Trofeo Pirelli e o Shell Historic Challenge e que mais recentemente supervisionou os Campeonatos GT e a participação dos clientes com os Fórmula 1 históricos, para além da coordenação do programa FXX.
Em 2000, foi retomada com mais regularidade a tradição histórica da Ferrari de participação nas competições internacionais de GT, tendo sido preparado o Ferrari 360 Modena N-GT, que no ano seguinte ganhou o campenato FIA/N-GT, vários campeonatos nacionais nesta categoria, para além do Grand-Am GT em 2002.
Actualmente o Departamento Corse Clienti, põe à disposição de equipas privadas o Ferrari 430 GTC da categoria GT2,um projecto que foi anunciado em Oschersleben, a 26 de Augosto de 2005, e que iniciou a sua carreira desportiva no ano seguinte, e que se tranformou desde 2007 (O 1º châssis construído foi o F131 EVOGT#2402, utilizado pela equipa GPC, que se estreou com uma vitória na categoria nos 1000Km de Instanbul a 9 de Abril de 2006, numa prova a contar para as LMS), no automóvel a bater nas grandes competições internacionais de Grande Turismo.

          

Com vitórias nos Campeonatos FIA GT, ALMS, LMS, OPEN GT, 24 Horas de Le Mans (2008 e 2009), 12 Horas de Sebring (2007 e 2009) e em vários Campeonatos Nacionais de GT, transformou-se, igualmente e provavelmente no automóvel de GT a dar mais títulos internacionais a pilotos portugueses.
Os F430 inscritos nas LMS seguem o regulamente FIA/ACO para a disciplina, e se na criação do F430 GTC, o Departamento Corse Clienti, manteve em vários particulares as soluções e a configuração do automóvel de série, sem necessitar de aproveitar de forma exasperada o regulamento técnico das corridas de GT, optou, a partir deste ano, por adoptar a estratégia técnica/regulamentar que a Porsche seguiu há algum tempo atrás.
Desta forma, desenvolveu um F430 com carroçaria alargada, permitida pela utilização de pneus mais largos, restritores maiores, que permitiram aumentar a potência. Para equilibrar este aumento de potência, o regulamento obriga a lastrar o automóvel com 100 Kg (o regulamento prevê a utilização de restritores maiores por cada acrescento de 50Kg ao peso minimo do carro).
Para aferir das vantagens e desvantagens do F430 GTC evolução 2010, e sobretudo compará-lo com o arqui-rival Porsche 997 RSR, nada melhor que as palavras de Johannes van Overbeek, que é um piloto que o ano passado utilizou um Porsche 997 da Flying Lyzard nas ALMS, e que este ano pilota um F430 GTC evolução 2010 da equipa Extreme Speed Motorsports: “ O Ferrari é muito mais fácil de pilotar que o Porsche, com este as correções no volante são constantes, requerendo um grau de concentração maior. Por outro lado, o motor do Porsche tem mais binário à saída das curvas lentas, parecendo um V8, ao passo que o do Ferrari parece mais um motor turbo-comprimido, fazendo com que, ao nível da pilotagem, se necessite de entrar mais rápido nas curvas, de forma a manter as rotações mais altas. A potência máxima não é muito diferente, mas no geral, o Ferrari é um automóvel mais equilibrado.”
Depois de terem conseguido a pole position para a corrida, Jaime Melo e Gianmaria Bruni, fizeram uma corrida tranquila, sempre à frente, não tendo quaisquer problemas em conseguir a 1ª vitória de um F430 este anos nas LMS.
O outro Ferrari da equipa AF Corse, pilotado por Tony Vilander/Jean Alesi e Giancarlo Fisichella, terminaram em 2º, depois de uma luta curiosa com o Porsche 997 Felbermayer de Marc Lieb e Richard Lietz. Fisichella referiu no final que perderam algum tempo num dos pit stops devido a um problema com o rádio que equipa o 430, no entanto, um final de corrida em grande estilo por parte de Tony Vilander, conseguiu ultrapassar o Porsche 997 de Lietz, e levar a equipa ao 2º lugar final, e desta forma consolidar a 2ª posição no campeonato (52 pontos) a 10 do par Lieb/Lietz. É nesta dupla que se centra a aposta da AF Corse na conquista do campeonato LMS, já que o par Jaime Melo/Gianmaria Bruni, embora normalmente mais rápidos, estão, sobretudo devido à desistência na 1ª prova (8 Horas do Paul Ricard), bastante atrasados na classificação geral, aliás, esta dupla de pilotos já não estará presente na próxima prova deste campeonato (Hungria), apostando agora no campeonato ALMS, que comandam, e que tem uma prova coincidente (Road America, a 22 de Agosto).
Este será o último ano da carreira desportiva do 430, para o ano será substituido pelo 458, que segundo opinião geral, deverá manter a supremacia (quase sempre partilhada com a Porsche) da Ferrari nas corridas de GT. Assim os regulamentos o permitam.



A mudança mais óbvia, no F430 versão 2010, situa-se na parte frontal, com alterações ao nível das entradas de ar para os radiadores. O regulamento permite que os elementos da carroçaria possam sofrer alterações abaixo da linha de eixo. As novas entradas de ar frontais, foram redesenhadas no sentido de permitirem canalizar directamente o fluxo de ar para os radiadores situados imediatamente por baixo dos faróis. Devido a esta alteração, e também por utilizar um “Wider-body”, em relação a 2009, as pequenas aletas situadas logo atrás das entradas de ar para os radiadores, foram alteradas, em localização e tamanho.


Estes pequenos apêndices aerodinamicos (em fibra de carbono) colocados junto às rodas traseiras, foram adoptados devido a uma clarificação regulamentar: A carroçaria acima da linha de eixo deve cobrir os pneus. O motor (com cerca de 500 cv) é alimentado por ar, direcionado pelas grandes entradas situadas à frente das rodas traseiras. Tubos de carbono (colocados a 180º) dirigem o ar para o motor, e é lá que estão colocados os restritores.

O aileron e o difusor dominam a vista traseira, devido a tratar-se de um automóvel com motor central traseiro, as saídas de ar são múltiplas. A asa traseira, que é fixada à tampa do motor (muitos dos ajustes feitos no aileron são executados por baixo desta tampa, e fora dos olhares indiscretos) surge com um “gurney-flap” maior que o utilizado no F430 do ano passado.


A equipa AF Corse conta com o patrocinio da Kaspersky, um conhecido programa anti-vírus, pertença da Kaspersky Lab, cujo proprietário é o Russo Eugene Kaspersky, um investigador e pioneiro no desenvolvimento deste tipo de tecnologias. Recentemente os empregados da marca tiveram o prazer de receber junto à porta dos escritórios da empresa em Inglaterra (Milton Park, Abingdon) o Ferrari F430 GTC de Alesi/Vilander e Fisichella, representado na foto, e que conquistaram um merecido e suado segundo lugar dos GT2 na corrida algarvia.

O Ferrari 430 GTC da Farnbacher (D. Farnbacher/A. Simonsen) terminou a prova no 6º lugar do grupo, o que está dentro daquilo que Dominik Farnbacher previa no inicio do campeonato: “Terminar dentro dos oito primeiros do agrupamento, é o nosso objectivo”. Este mesmo chassis foi aquele que terminou em 2º, as 24 Horas de Nurburgring e as 24 Horas de Le Mans. Na prova alemã, estava adaptado às regras do VLN, e correu com restritores mais pequenos, que penalizavam em cerca de 25 Km/h a velocidade de ponta, o que é significativo, mas que não impediu a equipa de terminar em 2º lugar da geral. A nova versão do F430, com pneus mais largos, obrigou a equipa a partir do zero em termos de acerto do automóvel e a fornecedora de pneus, a Hankook, a desenvolver novos compostos.

Um furo impediu o Ferrari da CRS de terminar no pódio. Os châssis usados são os que a equipa já possuia,(como acontece com a grande maioria das equipas que usam o “novo” F430) tendo sido enviados, antes do inicio do campeonato para a Michelotto, para fazerem o « upgrade » para 2010.

Fotos: "Kiko" Vieira e Brito
            Ricardo Grilo

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6 HORAS DO ESTORIL
V de V – Endurance Moderne
Endurance GT/Tourisme



Disputadas nos passado dia 21 de Novembro, as 6 Horas do Estoril foram a oportunidade de ver em acção o Ferrari F43O GT (#F131 EVO GT 2424) da equipa Visiom Racing, bem como uma série de outros interessantes automóveis de GT, que participam habitualmente no campeonato que integra as séries V de V criada por Eric Van de Vyver.
Este Ferrari 430 GT, iniciou a sua carreira desportiva em 2006, na equipa JMB Racing/Gruppe M Racing, com os pilotos Iradj Alexander e Tim Sundgen, que fizeram todo o campeonato FIA GT (O melhor resultado foi a vitória na categoria GT2 na corrida de Brno).
Em 2007 este Ferrari disputou as 24 Horas de Spa, ainda através da equipa JMB e com a equipa de pilotos Paul Belmondo/ C. de Paw/ D. De Radigues/ P. V. D. Hove (29ºs geral e 9ºs da categoria GT2).
Em 2008, foi adquirido pela equipa Perspective Racing de Jean Paul Pagny, que através dos pilotos P. Benoist/ Jean Paul Pagny/ Thierry Perrier (e por P. Hesnault em 2009), tem participado com grande sucesso no Campeonato V de V.
Duas corridas ganhas em 2008 (Magny-Cours e Estoril) e o titulo absoluto e  três em 2009 (Jarama, Val de Vienne e Magny-Cours), e o terceiro lugar no campeonato, todas na categoria GTV2.
Em 2010 (agora a equipa designa-se Visiom), efectuou igualmente o campeonato V de V (agora na categoria GTV1), disputando esta corrida do Estoril com a tripla de pilotos, J.P. Pagny/T. Perrier e Anthony Beltoise.
Caracterizada por um grande equilibrio, esta corrida foi ganha pelo Porsche 997 RSR da Matmut Racing, seguido de perto pelo F430 GT da Visiom. Neste ano de 2010, os vencedores do campeonato foram a equipa Matmut e o Porsche 997 RSR da dupla Pascal Gibon/ Christophe Bourret, e os segundos classificados, a equipa Visiom e o Ferrari 430 GT.